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Força, Brumadinho! Não foi acidente

  • Foto do escritor: Ezequiel Silva
    Ezequiel Silva
  • 4 de fev. de 2019
  • 3 min de leitura

Minas... gerais. Muitas. Infinitas. De ouro, diamante e minério... império. Mas no fundo, uma mesma raiz. O mineiro carrega consigo, no sangue, a sua essência. Mesmo longe, não esquece suas raízes. A mineiridade é um estilo de vida. Quem chega à casa de um mineiro é recebido pela porta da frente, com um generoso pedaço de queijo, ou uma cheirosa broa de fubá, sempre acompanhados de um bom café.


Café passado na hora, como manda a tradição das boas casas mineiras. A princípio pode existir uma certa desconfiança. Fruto das montanhas que nos cercam. Elas nos ensinaram que nem todo forasteiro era gente de boa índole. Coisa de mineiro. Mas o mineiro não consegue ser grosso com visita. Logo pega confiança e lhe oferece o melhor quarto, a melhor comida e o melhor banho. O mineiro cuida do visitante como se cuidasse do próprio Cristo. Mostra seus bichos, conta seus causos, fala da vida. Isso é nosso, está na nossa identidade e nada nos tira.


Porém, na última semana do interminável mês de janeiro do ano que floresce, o mineiro raiz viu sua estrutura ser abalada. Nossa maior riqueza natural, fonte de renda de milhares de famílias em nossa terra, causou também uma avalanche de sentimentos, em um curto espaço de tempo. A companhia que nasceu aqui, com espírito mineiro, um dia perdeu sua essência e se esqueceu dos valores da sua terra pátria. Não se preocupou com a segurança de seus irmãos de veia ferruginosa e lavou seu minério em sangue. Mexeu

com o brio do mineiro, que viu suas raízes sendo agredidas, arrancadas e levadas pela lama. Desde o relato da dona Maria Aparecida na TV que não contenho as lágrimas ao assistir ou ouvir alguma notícia relacionada ao caso, em um misto de dor e revolta. Muita dor e muita revolta! Os helicópteros cortando o céu trazendo corpos e mais corpos. A esperança em encontrar alguma vida. As imagens do momento exato do rompimento. A imagem da lama descendo. As cenas dos bravos homens e mulheres, heróis de farda ou não, rastejando na lama para salvar vidas, são de emocionar. Pessoas que, sacrificando as suas próprias vidas, cuidaram de cada vítima como se fosse seu próprio pai ou mãe.


O brio do mineiro está abalado. Um estado que viu seu grande ícone morrer por conta do imposto cobrado sobre a extração do ouro, hoje vê seu povo ser, assim como Tiradentes, esquartejado. Dessa vez pela lama da ganância. O barato que sai caro. Não falo em dólares ou em 'bolsês', mas em vidas humanas. Vidas de valor inestimável. Já haviam sido dezenove no Bento... agora foram centenas no Feijão. Virou poeira e lama a mata que guardava belos pássaros e flores. A ponte da ferrovia ficou sem vestígios. A pousada famosa parece nunca ter existido ali. Vidas. Histórias. O Paraopeba, assim como o Doce, morreu. Rio com vida, fonte de alimento de toda uma região. Rio que divertia muitos dos habitantes de sua margem e que remete à infância de muitos que ali iam pescar com a família aos finais de semana, agora padece diante do crime.


Mas o mineiro resiste, em especial o brumadinhense. Um povo que ainda que inerte, entregue aos estragos da lama e refém dos desacertos causados pela negligência, encontra força na solidariedade, na união da dor, na empatia de terceiros. Assim é o mineiro. Resistente. Montanhês. Feito do ferro.

Por: Ezequiel Silva - @AraraquarAzul

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